domingo, 26 de dezembro de 2010

homefeelings

(rascunho escrito originalmente em 06/12/10)


Eu cheguei à conclusão que o único momento em que eu realmente me sinto em casa é quando estou viajando.

Quando viajo, eu nunca estou sob pressão. Nunca estou com pressa. E nunca sei exatamente para onde estou indo. Posso até ter um destino final, mas não tenho certeza do caminho que vou fazer.

Quando viajo eu olho mais ao redor, converso mais com os desconhecidos, observo o mundo com mais atenção. Eu aprendo muito mais do que fazendo o meu percurso diário e repetitivo - e às vezes descubro caminhos que nem mesmo os nativos conhecem.

Quando viajo, eu sou mais cara-de-pau, mais espontânea, mais desinibida. Tomo iniciativas e faço coisas que não faria quando estou no meu mundinho conhecido e seguro. Eu danço ouvindo música no mp3, eu paro para olhar coisas que me chamam a atenção, tiro foto de coisas que ninguém nunca pensou em tirar, sem vergonha do que os outros vão pensar.

Quando viajo, eu sou eu mesma.
E descobri que eu adoro o meu próprio jeito de ser.

Sem contar a sensação de sair da mesmice que a viagem em si proporciona.
Toda viagem tem altos e baixos, com momentos de tédio e picos de emoções que podem ser boas ou ruins. Toda viagem tem momentos de esforço, momentos de espera, momentos de curtição e momentos de descanso.

Momento de esforço é pegar ônibus lotado carregando mochilão de 30kg em horário de pico. Momento de espera é dormir toda torta durante 5h abraçada na mochila na rodoviária/ aeroporto esperando o ônibus/conexão aérea pra próxima cidade. Momento de curtição é andar pelo centro ou pela orla da praia da cidade em que estou; sem pressa, sem lenço e sem documento, enquanto tiro fotos de tudo o que vejo, ouço sotaques diferentes, faço amizades ao acaso e saboreio iguarias da culinária local. Momento de descanso é quando afundo na cama quentinha ou no sofá do host, na rede da varanda ou na cama de casal com mosquiteiro da pousada depois de tomar banho e me alimentar, sabendo que estou em total segurança e finalmente posso dormir até acordar.

Já não me sinto mais em casa na casa dos meus pais - me sinto visita.
Também ainda não me sinto em casa em São Paulo - e não sei se algum dia vou me sentir.
Por outro lado tem algumas cidades que os nativos são tão hospitaleiros que conseguem me fazer sentir em casa na casa deles. Da até vontade de mudar pra lá só pra sermos vizinhos.

Agora quando estou sozinha, livre, com uma mochila nas costas, saúde em ordem e o direito de ir e vir para onde bem entender, me sinto absolutamente dona do mundo.

Um comentário:

uma pessoa aleatória disse...

"A verdadeira arte de viajar...
A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!"

Mário Quintana