domingo, 26 de dezembro de 2010

Forró

(rascunho escrito originalmente em 30/11/10)


Eu sempre falei que jamais substituiria meus amigos e as coisas que eu gosto de fazer por uma paixão, ou seja, por um namorado ou algo que o valha.

Mas acho que eu estou namorando com o forró.

Há tempos não saio com os amigos "da vida real" pra beber e jogar conversa fora, nem procuro conhecer gente nova pra socializar (a não ser no próprio forró), nem vou mais em shows de bandas que eu curtia, nem visito meus pais em Santos nos finais-de-semana. Parei de ir nos encontros e festas do CS, de acompanhar futebol (mesmo com o Santos indo tão bem), de assistir TV, de usar internet... desencanei até da vida afetiva e dos homens em geral (a não ser, recentemente, um ou outro que por acaso sabem dançar).

É como se todas essas coisas a que antes eu dava tanta importância fossem, na verdade, as diversas maneiras que eu tinha de preencher meu tempo com algo que me desse prazer... mas agora encontrei algo que parece superar tudo isso.

A única coisa que sempre fiz e ainda faço com gosto e não abro mão é viajar - mas agora sempre acabo dando um jeito de dançar um forrozinho nas cidades que visito. Aliás, minha viagem pro Nordeste teria sido muito menos proveitosa se eu tivesse ido pra lá antes de virar forrozeira. Daí posso dizer que já dancei forró em festas random e/ou visitei casas de forró no Rio, em BH, Vitória, Itaúnas, Porto Seguro, Caraíva, Itacaré, Aracaju, Curitiba, Porto Alegre...

Aliás, tudo o que faço hoje em dia gira em torno da minha paixão:
Se quero aprender algum instrumento, é rabeca e zabumba.
Se quero cantar em público, é "Pisa na Fulô".
Se danço outro ritmo, é pra aprender alguma técnica pra aplicar no forró.
Se quero praticar algum esporte, que seja andar na corda, ou qualquer um que dê equilíbrio pra melhorar a dança.

Talvez, nesse mundo de coisas tão interessantes e cultura tão rica, a dança também seja substituída algum dia por alguma outra paixão, mas por enquanto, é com ela que eu estou encantada.

É que o forró é emocionante demais.
E emoções são a razão de viver, não é?

Por exemplo, quinta passada eu fui no show do Dominguinhos. Aliás, só no mundo do forró você consegue ir no show de um dos maiores nomes da música brasileira pagando apenas... 7 reais. (com carteira de estudante.) Chorei demais, debruçada no palco, ao vê-lo tocando seus xotes melodiosos junto com Flavinho Lima, Mestrinho, Fúba de Taperoá...

Outro dia desses teve também um encontro de rabequeiros (ENCONTRO DE RABEQUEIROS, sim, isso existe!) no Teatro Oficina, na Lapa. Que que foi aquela gente dançando maracatu, meu Deus? E a roda de coco improvisada em pleno Buena Vista (balada chique de dança de salão na Vila Olímpia que toca forró às segundas)? Cultura brasileira é tudo.

Pois é, estou apaixonada pela música nordestina, em especial esse conjunto de ritmos (xote, baião, xaxado, coco, etc) que chamamos de forró. E pelo samba também, ainda mais do que já era -samba de gafieira carioca e samba-rock paulistano, adoro os dois, mas ainda não consegui aprender a dançar nem um nem outro direito. É que eu tô morando tão pertinho do forró, e tem tanto forró bom, de raiz, tradicional onde eu moro (Pinheiros tem os risca-faca também, mas esses eu passo longe), que não sobra nenhum dia na semana pra aprender outro ritmo - eu só danço forró, todos os dias, da hora que acordo até a hora que vou deitar, e se bobear ainda sonho com isso. Acordo com músicas da balada da noite anterior na cabeça, e às vezes algumas que eu nem mesmo sabia que conhecia. É sério, pareço uma doente.

Meu professor Evandro Paz costuma dizer, ao propagandear suas aulas, coisas como "eu vendo um vício benigno que transforma as pessoas" e "meu desejo é que um maior número de pessoas possam sentir em seus corpos um pouco dessa sensação de poder e liberdade moral que o domínio próprio corpo propicia".

Pois tudo começou por causa desse bendito professor. Foi em setembro de 2009 quando, graças a um tópico do Léo no CouchSurfing, e também pela sorte que tive de o meu trampo por acaso ser perto do Remelexo (e confesso que escolhi morar em Pinheiros muito mais pelo Remelexo do que pelo CRN), acabei descobrindo e me viciando no forró. É ele que, hoje em dia, assim como o CS e as viagens, me põe em contato com pessoas incríveis que eu jamais imaginaria conhecer, e me causa sensações que jamais pensei que pudesse sentir. Não é por dançar com x ou com y, mas sim por dançar. Pura e simplesmente. É como amar o amor em si (metalinguagem), e não somente amar a pessoa x ou y. Não sei explicar melhor que isso.

A Ju (CS RJ) me falou uma vez: "Seus olhos brilham quando você fala de forró. Até sua voz muda de tom. Você parece apaixonada".

Taí alguém que me entende.
É isso, é paixão. Não tem outra explicação.

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