domingo, 26 de dezembro de 2010

Solidão e Solitude

rascunho escrito originalmente em 20/05/10


Solidão.

Nunca escrevi sobre isso antes. Sempre fui metida a auto-suficiente (talvez devido à criação meio feminista dada pela minha mãe).

Bem, vamos lá:

Passo o dia rodeada de pessoas, algumas até que me admiram e apreciam, mas não tem um dia que eu coloque a cabeça no travesseiro e não sinta falta de algo quente em que me aconchegar.

Sinto falta de calor humano. Não me basta mais ir em festas onde todos podem se conhecer sem preconceitos, se pegar, mas no fundo cada um só quer saber de si.

São Paulo.

Aridez, individualismo, falta de familiaridade.

Sinto falta de lares. Aqui todos moram sozinhos ou dividindo, nunca juntos.
Sinto falta das ruas em que eu conheça cada esquina, cada detalhe, cada ladrilho do chão; ruas em que eu sei que mora algum conhecido ou em que eu corra o risco de trombar ex-colegas. Sinto falta de estar perto de tudo a pé.

Mas o que eu sinto mais falta mesmo é de calor. Não aquele que nos faz torrar ao sol ou transpirar no ônibus lotado, mas aquele que nos faz ter vontade de ir pra cama mais cedo. Que torna as coisas mais aconchegantes, que nos tira a vontade de sair de casa, quando nossa única intenção ao sair seria encontrar alguém que nos faça sentir esse calor.

Do calor dos meus gatos amassando as cobertas da cama. Ronronando, soltando pêlos e me dando carinho. Como eu queria um aqui pra pegar no colo e encher de beijos.
Ou um gato, que já tive vários, ou um cachorro, que eu ainda nunca tive.
Ou uma pessoa, por que não?

Eu sou meio maluca, né? Uma hora quero virar hippie, viajar de carona sem dinheiro, conhecer o mundo inteiro. Outra hora quero ter uma casa só minha pra poder criar meu próprio cachorro, receber meus próprios amigos e cuidar do meu próprio jardim. Outra hora quero aprender todas as línguas, todas as técnicas e todos os ofícios que existem e virar uma supercientista. Outra hora eu quero ter uma profissão que ajude a mudar o mundo. E por aí vai.

Sempre fui uma pessoa que gosta de ficar sozinha. Isso significa que gosto muito da minha própria companhia. Li uma vez que "todo chato odeia esperar pois se vê obrigado a passar um tempo consigo mesmo". Já eu lido super bem com esperas longas, viagens demoradas, momentos intermináveis de ócio...

Isso eu chamo de solitude. É curtir o momento a sós consigo mesmo.
Mas às vezes eu também sinto solidão. É outra coisa completamente diferente: é querer compartilhar esse momento pleno de si mesmo com outra pessoa.

Talvez seja só uma fase, mas o fato é que eu quero uma companhia. Não alguém pra cuidar de mim, pelo contrário, eu quero viver pra alguém. Ter alguém pra cuidar, alguém com quem me preocupar, alguém que eu possa fazer feliz sem medo de invadir seu espaço. Alguém pra dividir comigo essa casa e fazer dela um lar. Alguém pra se importar se o lençol está ou não esticado e se nós temos ou não algo bom pra comer de manhã ou algum filme legal pra assistir. Ou simplesmente pra ficar jogado comigo na rede da varanda olhando os... aviões? (é, porque ver estrelas no céu de são paulo é meio difícil, né).

Isso também faz falta por motivos práticos. Por exemplo: eu deixo de arrumar o quarto por dias porque eu sei que ninguém vai vê-lo bagunçado, mesmo.
Só arrumo quando alguém vem me visitar, é mole ?
(Preciso receber mais visitas, lol).

Mas eu queria mesmo alguém que me visitasse constantemente.

Alguém pra quem eu tivesse ao menos um dia e um horário reservado na minha agenda, um cantinho da casa pra dizer "senta aqui, fica à vontade".
Alguém que eu pudesse conhecer bem, confiar muito e com quem eu pudesse compartilhar minha vida.
Não que ela seja a vida mais interessante do mundo, mas talvez meus sonhos sejam.
(Bom, pelo menos eu acho meus próprios sonhos interessantes).

Será que existe alguém que tenha sonhos parecidos com os meus ?
E se os nossos sonhos forem completamente diferentes, será que seríamos pessoas tão incompatíveis assim ?

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