domingo, 26 de dezembro de 2010

Namoro

rascunho escrito originalmente em 12/07/09


Acho que começo a compreender o significado da palavra "namoro".
O namoro, ao mesmo tempo que se basta, tambem é um meio para um fim maior.
O namoro não é "só" um passatempo, não é "só" coisa de momento (não que essas coisas sejam insignificantes), mas também não é definitivo.
É o caminho florido por onde a gente passa antes de chegar ao destino. E às vezes o caminho é que é o mais importante da viagem.

Namorar é ter certeza absoluta daquilo que queremos neste exato momento, sem se importar com o que vamos querer depois.
Tem gente que acha que, se alguém tá namorando, é porque um dia vai casar e, se não casar, "que pena, não deu certo". Pra que namorar alguém se não ao menos acreditar que vai ser pra sempre? Pois eu acho que, pelo contrário, namorar é viver o momento. É estar aqui e agora, e não no futuro ou no passado. Senão, eu também poderia perguntar: pra que serve nascer, se todos vão morrer um dia? Não é?

Mas eu mesma nunca namorei. Quer dizer, não nesse sentido em que as pessoas falam. Porque namorar, pra mim, no sentido mais puro da palavra, não é necessariamente ter compromisso com alguém. Namorar, na verdade, é experimentar, é fazer um teste. É quando algo nos atiça e então a gente morde a isca e é fisgado, sem saber onde o anzol vai nos levar. É curtir o momento saciando nossos sentimentos mais urgentes, que tanto podem se intensificar com o tempo como podem diminuir ou acabar ao se conhecer mais profundamente o outro e se ver que não era bem isso que se queria.

Sabe quando a gente namora um vestido ou um doce na vitrine, antes de experimentar para ver se é mesmo bom? Namorar é isso. É ensaiar um passo de dança, uma cena de teatro ou uma canção no microfone pensando em um dia se apresentar, sem saber ao certo quando isso vai acontecer. É planejar uma viagem nos mínimos detalhes antes de pôr o pé na estrada. É degustar um pedacinho de queijo minas com vários tipos diferentes de doce de leite no mercado central antes de decidir qual deles vai comprar.
Tudo isso é namorar. E isso, graças a Deus, eu faço o tempo todo. E é bom demais.

E namorar uma pessoa? Namorar uma pessoa é se entregar a todas as sensações que ela nos provoca, sem medo das conseqüências dessa entrega. É se encher de expectativas a respeito dela, fazer planos e tudo o mais, mas sem se apegar a eles e sem tentar forçar algo a acontecer exatamente como você espera depois. Tipo assim, o vestido da vitrine pode até ter ficado lindo quando você vestiu, mas se te aperta ou se é caro demais, paciência, deixa pra lá. O doce também pode ser finíssimo, mas se for doce demais, enjoa antes de você terminar de comer. Por outro lado, a viagem dos seus sonhos pode não sair exatamente como você planejou, mas pode te levar a outros caminhos antes inimagináveis e ainda mais interessantes, por que não?

Da mesma forma, eu posso namorar alguém sem nem mesmo saber se o nosso beijo encaixa ou não. Posso ficar olhando-o demoradamente todos os dias e aproveitar todos os momentos possíveis para fazer isso, ainda que isso lhe cause um certo embaraço. Posso imaginar e criar mil fantasias sobre como seria se a gente se encontrasse, se a gente saísse junto, se a gente se envolvesse e se ele também gostasse de mim. Posso criar artifícios pra me aproximar dele, suspirar olhando suas fotos no orkut, permitir que ele me inspire e que minha criatividade extravase em versos em papéis rasgados na mesa do escritório ou mesmo em crônicas como esta.

É, eu estou namorando alguém.
Ele só ainda não sabe disso.

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