quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Vocês querem saber por que é que eu gosto tanto de forró?

Porque eu gosto muito do amor.

Em nenhuma outra festa no mundo eu vejo tanto amor quanto eu vejo aqui.

Aqui o amor é mais do que liberado: ele é cultuado.

Tem gente que cultua o ódio, a ganância, a morte, a vingança, a tristeza, o rancor...

Aqui a gente só cultua o amor.

No forró a gente ama de verdade. Ama como a natureza ensina.

A gente ama quem tem vontade. E se não tiver vontade, ninguém te obriga.

Porque sentimento é assim, coisa de momento, como a vida.

Uma sucessão de pulsações, como os tempos de uma música - e como os nossos corações.

Bom mesmo é ficar bem juntinho, mas poder soltar quando quiser - e partir pra outra, seja homem ou mulher.

Quem aqui já dançou coladinho sabe como é bom poder dar e receber carinho.


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Quem acha que forró é sacanagem, comece a prestar atenção nas letras.
Vai ver que algumas são recheadas da mais pura candura:


"Se o amor é tão bonito para quê segredo?
Não tenha medo, vamos ser feliz
Paixão, amar, querer, sorrir, prazer, tudo é você
Ah, venha que a sanfona tá rolando e a noite tá madrugando
Só você não percebeu
Venha que o forró ta se acabando todo mundo se amando
Só faltando tu e eu
A noite é linda, e com você mais ainda
Venha, temos que aproveitar
Que nada é mais gostoso que amar
Que balance e embalance e me ame e me canse
Que te faço gamar..."
(Mestre Zinho - Te Faço Gamar)

"Segura gente que a noite inteira
Essa brincadeira faz amanhecer o dia
E eu feliz porque era o que eu queria
Trazer a alegria e ver o povo festejar
Eu quero ver, quero ver, quero ver
O dia amanhecer e todo mundo se amar
Eu quero ver a minha melodia no bico de todo mundo assoviar
Eu quero ver meu bem cantando e me chamando pra dançar
Eu quero ver, quero ver, quero ver
O dia amanhecer e todo mundo se amar"
(Genival Lacerda - Minha Melodia)

"Queria ter uma coragem a mais
Pra te levar lá na casinha onde a gente namorou
E se lembrar de como é que se faz
E ao som desse belo xote é que a gente faz amor
Amor sem lampião, amor nós dois no chão
Amor tão inocente como não se vê mais não"
(Xote de Colo - Lembrança da Casinha)


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